domingo, 15 de fevereiro de 2009

Sêde

Quem tem uma verdadeira sede de tocar música, toca boa música.
Quem tem uma verdadeira sede de estudar, é bom aluno.
Quem tem uma verdadeira sede de praticar desporto, é bom no que faz.
Quem tem uma verdadeira sede de ganhar, tem sucesso.

E quem tem uma verdadeira sede de Deus, está perto dEle.
Ter sêde é o segredo... O próprio Jesus disse que veio para quem precisa dele e não para quem não precisa. E precisar dele não é a mesma coisa que ter sede dele?

Talvez seja esse o dom que mais deva pedir quem quer estar perto de Deus.

Senhor, dá-me sede de ti, para que sinta falta de ti mais do que de qualquer outra coisa, tu que és donde vêm todas as outras coisas. Dá-me sede de ti, para que estejas sempre presente no meu coração e no meu pensamento. Dá-me sede de ti, para que te procure constantemente, e para que encontre em ti a plenitude. Amen.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A diferença entre o "Yin e Yang" e o "Trigo e o Jôio"

Estas duas expressões, tão simples quanto possam parecer, encerram em si diferenças astronómicas nos conteúdos que representam e nas estruturas de crenças que lhes estão subjacentes. O Hinduísmo, e outras religiões e filosofias orientais, assentam numa visão de Mundo em que há uma oposição entre forças opostas que não só é benéfica como é necessária: o Bem e o Mal, a Morte e a Vida, e por aí fora, poderíamos enumerar vários opostos considerados por esta perspectiva como facetas da mesma realidade contínua, inseparáveis. A expressão Yin e Yang simboliza esta visão. Assim, nesta visão, o desenrolar da vida assenta numa infinita alternância entre forças opostas, e o próprio Universo é visto como um mecanismo infinito de expansão/retracção, nascimento/morte, etc. É uma visão da vida como uma roda, em que se retorna aos mesmos pontos e em que as coisas se renovam constantemente numa repetição dos mesmos processos, infinitamente. É uma posição relativista, em que se considera que não há uma Verdade, não há alguma coisa que possa ser considerada má no Universo, uma vez que tudo faz parte e tudo é necessário.

O Budismo, numa "iluminação" inteligente, vem trazer a esta dinâmica circular e repetitiva uma novidade: talvez as coisas não se repitam constantemente, mas haja uma evolução em direcção a uma perfeição que, então, será eterna. Assim, a idéia da reencarnação passa a ter um sentido evolucionista, vislumbra-se o "Nirvana", e admite-se a existência de bens melhores que outros que eventualmente desembocarão numa situação idílica em que se vive apenas o Bem. Porém, esta visão ainda está enraízada no Hinduísmo, impregnada de relativismo e sem uma adesão plena ao Absoluto. E na mesma situação estão variadíssimas religiões, como as religióes xamanistas, as animistas, etc.

O Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo assentam numa visão radicalmente diferente destas duas, apesar da evolução que o Budismo representou. É uma novidade total relativamente a todas as outras formas de espiritualidade. A idéia de Trigo e Jôio é uma metáfora importantíssima nesta visão. Esta metáfora indica que no Universo, tal como o vemos, existe uma mistura intrínseca entre dois opostos, mas considera que essa mistura é indesejável e que procede do Mal. Há logo aqui uma classificação inequívoca da existência de Bem e de Mal, o que implica a existência duma verdade absoluta. É o contrário do relativismo, e é uma novidade relativamente a todas as outras formas de religião, em que o Homem "jogava" entre forças, servindo-se dumas e doutras para os seus objectivos, e não optando claramente pela rejeição do "Jôio". Não se vê o Universo como um ciclo infinito e repititivo entre duas forças opostas e necessárias, mas logo à partida afirma-se a existência dum caminho, duma evolução da mistura para a purificação total: o paraíso. Tudo caminha para o retorno ao Criador, e no fim apenas o Trigo ficará. O Jôio não tem sentido, é inútil e não joga qualquer papel na evolução, a não ser o de pedra de tropeço inútil. Isto implica também que haja coisas em relação às quais não se veja nada de positivo: a maldade, o materialismo, a guerra, etc.

Ao introduzir uma divisão entre coisas boas e coisas más, esta visão pode provocar naqueles que a vêem uma sensação desagradável, uma necessidade de escolher bem, uma sensação de que nem tudo o que faz e vive pode ser bom, o que é incomodativo. Aliás, o próprio Jesus referiu que as suas palavras eram como uma espada de dois gumes, e que iriam trazer a divisão, e uma das maiores razões para que as pessoas rejeitem a sua proposta, é pelo facto de se sentirem ameaçadas pela ideia de que podem ter que largar algumas coisas que nesse momento prezam (o Jôio). Esta é, provavelmente, também a razão pela qual uma visão de mundo em que tudo é bom atrai tanta gente para as filosofias orientais: a desculpabilização, a validação de todos os seus desejos como sendo bons, a pacificação da consciência (não pela conversão, mas sim pela eliminação daquilo que a põe em causa).

Quanto a mim, não tenho dúvidas. Jesus chama ao diabo o príncipe da mentira. Ou seja, o mal aparece como bem àqueles que se deixam enganar. E que engano mais redondo existe do que aquele que considera que nem existe Bem nem Mal, e de que tudo é necessário? Como diz Santo Agostinho, "ama e faz o que quiseres". Mas se não amares, por mais que te custe, nem tudo o que fazes é bom, pois o Absoluto, a Verdade, e a única coisa que não passará, é o Amor.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Deus é Amor

1ª Carta de S. João 4,7-10.

"Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus.
Aquele que não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor.
E o amor de Deus manifestou-se desta forma no meio de nós: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida.
É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados."


Aleluia!! Deus não é impositivo, não é mau, não é impiedoso, não é orgulhoso, não é arrogante, não é insensível, não é intolerante, não é altivo, não é distante!

Deus é sensível, é benevolente, é misericordioso, é humilde, é bom, é tolerante, é fiel, é generoso, é próximo, é alegre, é pacífico, é terno, é grande...

Deus é amor! E a única razão pela qual não nos entregamos totalmente a Ele, é porque não O conhecemos. E Ele não quer que nos entreguemos a Ele sem O conhecermos, porque senão estaríamos a entregar-nos a uma imagem dEle e não a Ele mesmo. Ele só quer estar connosco, para que O conheçamos e nos unamos a Ele. E foi por isso que Ele veio.

Aleluia! Deus é grande, inefável e insondável. Deus é Amor.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Shalom!!

=

"Que o conjunto de todos os bens estejam contigo"

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Natal 2008



Natal é isto: amizade pura e simples à volta duma mesa, sem barreiras, e com Jesus no centro.

O milagre do ano passado repetiu-se :)

Bom Natal! E que no próximo ano todos possamos receber aquilo que Deus nos quiser dar.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Não deve haver saudação de bom ano mais estúpida do que aquela que diz: "que este ano tenhas tudo o que desejas". E se por acaso uma pessoa manda essa mesma saudação a outras duas pessoas que se querem matar uma à outra? Hão-de as duas conseguir o que desejam nesse ano? Não só é quase impossível, como é estúpido.

Em última análise, as diferentes vontades de todas as pessoas do mundo só são compatíveis umas com as outras quando nessas vontades estiver incluído o bem de todos e de tudo. Não são todos os desejos que são bons, mas apenas aqueles que estão de acordo com aquilo que é melhor para nós todos sem excepção, para a Humanidade e para o Mundo. E só Deus sabe especificamente qual é esse melhor. Nós só sabemos que Deus é Amor, com letra grande.

Por isso, a mais sábia, mais genuína, mais justa e mais generosa de todas as saudações de boas festas só pode ser esta:

Que este ano recebas aquilo que Deus te quiser dar.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Definitivamente, estou farto de voluntariados patrocinados. Não se pode servir a Deus e ao vil dinheiro! Estas coisas são de modas, e agora está na moda as empresas patrocinarem acções de solidariedade. Mas a solidariedade não é a finalidade duma empresa, assim como a publicidade não é a finalidade dum gesto de solidariedade. Acho que está mal confundir essas coisas. Pode haver quem diga: "é melhor do que não fazerem nada", ou "ao menos estão a contribuir para que as coisas fiquem melhores"...

A minha experiência diz-me que só há um caminho no amor: a gratuidade total, o anonimato, a motivação pura. Tudo o que saír disso até poderá parecer bom passageiramente, mas mais cedo ou mais tarde a verdadeira face de tudo será manifesta de uma maneira ou de outra, nem que seja anos depois. Aquilo que não é de amor e por amor afasta do amor.

Gandhi dizia: "aquilo de que não preciso não me pertence". O dinheiro que vem de patrocínios de empresas do mercado económico, vem donde? Daquilo que eles não precisam, ou seja, deveria ser por direito de quem dele precisa. Isto é, os patrocínios dão a quem precisa aquilo que é seu por direito, fazendo de conta que lhes pertencia. Tiram dividendos publicitários com isso, e deturpam a própria noção de amor.

O Diabo é o príncipe da mentira! Abramos os olhos! Purifiquemos as nossas intenções, e não aceitemos misturar o trigo com o jôio: se não o conseguimos fazer em tudo, pelo menos não no que diz respeito à solidariedade social!

E quando passar a moda ou os dividendos publicitários não compensarem, que será dos que precisam?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008



De que fala este homem? De amor e de fé, sim. Mas e como fala ele disso? Fala da sua experiência, e de como a fé só existe na experiência. Sim, isto é cristianismo existencialista. A única realidade é a realidade do coração. O coração alimenta-se de experiências. Só encontraremos Deus experimentando-o, e partindo da nossa realidade e não da realidade que deveria ser. E só podemos experimentar a partir da nossa realidade se tivermos liberdade e se nos permitirmos explorar a nossa vontade, nunca através de mandamentos ou propósitos externos ao coração e à vontade mais pura.

Aleluia! Porque temos um Deus que nos fez livres e que É humilde ao ponto de se submeter à nossa necessidade de experimentar até O encontrarmos no centro da nossa vontade (coração).

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

"O amor verdadeiro não se funda na beleza física ou moral, na atracção mútua, menos ainda em experiências que supõem o amor, quando ele ainda não existe." (vale muito a pena ler o resto do texto, aqui)

Gostei muito desta frase, excepto a parte da atracção mútua.

1º, gostei muito da ideia de beleza moral. Realmente há pessoas que consideramos moralmente belas no sentido de serem virtuosas, boas, correctas, etc. E há muita gente que não se permite a si própria apaixonar-se por pessoas moralmente feias. E essas pessoas correm um grande risco de deixarem passar ao lado grandes amores, pois "o amor verdadeiro não se funda na beleza física ou moral".

2º, gostei da ideia de que o amor não se funda em "experiências que supõem o amor, quando ele ainda não existe". Aqui fala-se da grande tentação e grande armadilha de todos os amores em todos os tempos: a projecção no outro das fantasias que queremos. Mas só através da prática é que se conhece alguém, e só conhecendo alguém é que se ama essa pessoa. O amor funda-se no conhecimento prático e dinâmico do outro. E não só no conhecimento, também na criação de laços fortes através de gestos reais. Só existimos em relação, e a relação só existe na prática.

3º, não concordo que a atracção mútua não possa ser um sinal do amor. Aqui está-se a diminuir o poder comunicativo do não-verbal. É através da prática que se conhece alguém, mas todas as nossas experiências estão reflectidas no nosso corpo, nos nossos movimentos, nas nossas expressões, isso é uma forma de conhecimento do outro. E também é uma forma de troca de gestos e de criação de laços. A única coisa que muda é o código, que é diferente de outros códigos que usamos, como as palavras ou as atitudes.

Por que raio pus este post no "Só rezar"? Se lerem o resto do texto que está no link, compreenderão :)